segunda-feira, 26 de junho de 2017

Sua próxima namorada: Little Cat ASMR

Little Cat... ou seria Gatinha?

Oi gente!!! Eu realmente fiquei em dúvida se publicava esse posta aqui ou na Gatinha Investidora... estava muito querendo publicar lá, por dois motivos:

Primeiro - Algumas pessoas (ou será só uma?) vêm pedindo para eu postar mais coisas pessoais, menos mecânicas e técnicas... para relembrar os "velhos tempos" do blog

Segundo - Este site tem um número de visitas muito maior do que o "cantinho da Misty", que é meio paradão... então aqui que ficaria melhor postar aqui mesmo esta homenagem.

Terceiro - Tudo bem, eu disse quer eram só dois motivos. Mas pensei em mais um =^.^=. O público daqui do blog é essencialmente o mesmo do canal da minha colega de espécie Little Cat, então possivelmente esta postagem vai ser de interesse de todos, né? Homem, em idade reprodutiva, bem resolvido financeiramente... com uma vida tediosa e um trabalho cansativo. Se identificou?? Então você vai adorar o canal dessa gatinha fantástica que é a Little Cat.

No final das contas achei melhor publicar aqui mesmo, pra evitar um pouco os haters que poderiam não gostar do conteúdo da postagem. Já que não tem nada de investimentos, né?


Mas afinal de contas... quem é a gatinha Little Cat? O que ela tem de tão especial? Onde encontro essa gata? Seguem as respostas para todas essas perguntas!!

Em sites americanos, quando o blablabla é longo e a pessoa quer ir direto para a parte que importa, eles usam a expressão TL;DR (too long, didn't read). Então se você não quer ler até o final, segue versão resumida:

TL:DR

Quem é ela? Uma menina cursando faculdade de engenharia de produção (começou faz pouco tempo) que tem um canal no Youtube de ASMR

O que é ASMR? Vídeos gravados com a pessoa sussurrando e fazendo barulhinhos relaxantes de forma carinhosa para pessoas estressadas. É super relaxante e é a última moda. Ela também faz roleplay de namorada.
Onde encontro o canal dela? Procure por Little Cat ASMR no youtube!!

Aviso: Foto ilustrativa, links não são clicáveis
A gatinha Little Cat tem um monte de vídeos bacanas em seu canal!
Bem... agora que você já sabe o básico, vou falar um pouco sobre o que é ASMR.

As cinco linguagens do amor por Little Cat
Alguns anos atrás, uns pesquisadores de uma universidade nos EUA decidiram fazer uma pesquisa (gente, isso é sério!) para saber por que o som da chuva na janela ou do mar acalma a gente e tem um efeito relaxante tão bom. Depois de fazer a pesquisa com uma infinidade de barulhos e lugares diferentes, eles descobriram que este efeito relaxante ocorre não só com a chuva e as ondas, mas com qualquer batida ritmica em tom baixo e sons semelhantes a ondas na praia (como sussurros da voz feminina). Sons como bater as unhas em um papelão ou passar os dedos em uma superfície de papelão produzem esse mesmo efeito hipnótico e relaxante! Legal, né?

Baseado no resultado dessa pesquisa, começaram a surgir sites e blogs de pessoas que reproduzem sons parecidos com o da chuva na janela e com voz sussurrante, para que a gente possa escutar e nos sentir bem. Legal, né? Surgiram assim os adeptos do ASMR, (sigla para "Autonomous sensore meridian response"), que passou a explorar a produção destes sons relaxantes.

O movimento ASMR começou com audiobooks gravados em fita-cassete (e depois CD) com sons de chuva e das ondas batendo na praia. Não demorou muito para o movimento ir parar no facebook. Mas aí entrou um problema: era preciso uma imagem, e não apenas o som. Surgiram assim os youtubers do ASMR, meninas que produzem para nós esses sons de chuva e ondas na praia. Elas fazem isso usando as unhas (tamborilando em objetos como capas de caderno), com a boca (fazendo tuc-tuc-tuc com a boca mesmo) e sussurrando (a voz feminina sussurrada produz o mesmo som que as ondas do mar).

Pode parecer coisa de maluco a primeira vez que a gente vê, mas o negócio realmente funciona! E semsombra de dúvida a melhor representante do ASMR no Brasil é a Little Cat! 

Vale super a pena dar uma conferida no canal dela, principalmente nos roleplays de namorada. Gente, já aviso que não tem nada de sexual na coisa... é tudo sensorial, entende? Ainda assim,se você está solteiro, os roleplays de namorada podem ser um tanto quanto hipnóticos.

A Little Cat é espetacular em produzir ASMR da mais alta qualidade, gratuitamente. Ela fica um pouco restrita devido a estar meio (totalmente) sem dinheiro ultimamente... mas faz o que dá, né?

Vale a pena conferir essa gatinha.... ela é muito parecida comigo em quase tudo, até fisicamente! Então se você está lendo isso é porque gosta de mim, então vai gostar dela também, né?

Está triste? Está carente? Está sozinho? Está cansado? Está estressado? Talvez a Gatinha ASMRadora seja a solução kkkk.... Só não dá pra escutar no trabalho.... mas se está curioso, dá uma conferida Nesse link!




quarta-feira, 31 de maio de 2017

Conheça Terra Naomi - A nova Alanis Morissette


Hoje vou falar sobre uma cantora espetacular que pouca gente conhece: Terra Naomi.  Se você gosta de Alanis Morissette - principalmente as versões unplugged -  vai adorar essa moça.

Terra nasceu em Nova Yorque, em 1979. Começou a aprender musica desde criança, quando sua mãe a obrigava a fazer odiosas aulas de piano clássico. Mesmo sem saber, essas aulas de piano seriam importantíssimas no futuro, sendo o piano o principal acompanhante de suas músicas.Os professores de música então incentivaram a moça a estudar ópera, quando desenvolveu suas abilidades de canto, particularmente os longos agudos que são uma das marcas registradas da moça.
 
A carreira de "sucesso" de Terra Naomi começou no ano de 2007, quase junto com o lançamento do Youtube. Ela começou com um single chamado Say It's Possible, que atingiu estontantes marcas de pageviews, e rapidamente tornou a moça num sucesso na web.

Infelizmente parece que a carreira dela não "deslanchou" como ela merecia, e ate hoje continua lançando e fazendo sua música, porém sem atrair a atenção do público em geral. Pra mim, isso é uma baita injustiça, porque a qualidade da música e da voz dela chega a ser superior à de Alanis Morissette, ficando colada na Adele, veja só: 

Comparativo entre Terra Naomi e Alanis Morissette

- Ambas mulheres na faixa de 40 anos
- Cantams de pop vocal romântico americano - apesar da Alanis ter mais músicas "de corno"
- Mesma tonalidade de voz - mas a Terra tem uma amplitude maior
- Nenhuma das duas é lá muito bonita

É a propria Terra que compões suas músicas, em grande parte inspirada em sua própria vida. Algumas letras sugerem que ela faça uso abusivo de calmantes opióides, o que se abstrai de músicas com títulos como "Vicodin Song" e "Under the Influence"

O Vicodin é um calmante faixa preta derivado da morfina (di-hidrocodeína) muito usado nos EUA como droga, normalmente misturado com álcool ou até mesmo sendo aspirado como cocaína.

Depois de desistir de lançar suas músicas através de gravadoras - que não mostraram interesse em seu trabalho, além de exigir taxas altíssimas, Terra Naomi começou a lançar seus póprios álbuns em plataformas de streaming como Spotify e Deezer. Para arrecadar o dinheiro, ela se valeu de campanhas de crowdfunding utilizando o site Indiegogo, oferecendo coisas no mínimo incomuns em troca de contribuições. Quanto maior o valor da doação, mais coisas ela faz pelos fans, olhe só:

20 dólares - Download antecipado do novo CD ("pre-release") 
30 dólares - Um CD autografado, gravado na casa dela e enviado pelo correio.
50 dólares - Além do CD ela grava uma mensagem personalizada em vídeo
75 dólares - Leva também um cartão pintado à mão pela própria cantora
125 dólares - Ela conversa com você em 2 sessões de 45 minutos, ensinando técnicas vocais, a escrever músicas, ou qualquer outra coisa que ela puder!
250 dólares - Ela faz uma pintura sua em aquarela... e envia pelo correio.
800 dólares - Uma música sobre você! Essa eu achei fantástica: Você conta a sua história, e ela compõe uma música em sua homenagem. Legal né!!
1000 dólares - Além da música, você ganha acesso ao camarin dela no show.
4000 dólares - Ela faz um show particular na sua casa! Legal, né?!! Anima sua festa de casamento, aniversário, ou quem sabe até um showzinho particular? Ela vem até o Brasil, mas você tem que pagar a passagem...

1000 dólares - Por incrível que pareça, se você tiver essa quantia para doar, ela fica hospedada em sua casa por 3 dias, cozinha para você durante esse período, e pode até levar o cachorro dela se você quiser! Pelo visto a moça é solteira... então o risco é ela não querer mais ir embora ;-) Alguém se habilita?


Para quem se interessou por qualquer uma das "pechinchas" acima, na data em que escrevi este post (31/05/2017) a campanha ainda estava no ar....é só acessar o site do Indiegogo.

Para quem quiser escutar a música de maior sucesso da moça, vai aqui o link do Spotify:

 Beijos! =^.^=








segunda-feira, 29 de maio de 2017

O corvo (Fernando Pessoa / Edgar Allan Poe) - Análise verso a verso da poesia e das suas versões

Uma das minhas poesias preferidas sem dúvida é "o corvo". Ela foi originalmente escrita por Edgar Allan Poe. Trata-se de uma das poesias mais traduzidas e parafraseadas da história. A versão original é um pouco difícil de entender - pois está escrita com inglês antigo - mas a tradução feita por Fernando Pessoa é perfeita. Vamos a uma análise da poesia, linha por linha. Vou colocar ambas as versões, a de Fernando Pessoa e a de Machado de Assis. A versão do Machado é muito mais fácil de ler, tem linguagem mais simples, enquanto Fernando Pessoa se manteve fiel á métrica. Cada um no seu quadrado estilo. Para análise da poesia, a versão de Fernando Pessoa se torna mais fácil, pois busca traduzir de forma mais literal as intenções de Poe. Ainda assim, ambas possuem algumas gafes imperdoáveis; em que ambos se perderam na tradução para preservar a sonoridade ou a métrica. Como a poesia é extensa, não vou conseguir fazer tudo de uma vez só... então vai só o comecinho por enquanto, e prometo (!!) continuar conforme for tendo tempo e disposição - pode demorar, viu?



O Corvo


Versos 1-6

Versão de Poe

Once upon a midnight dreary, while I pondered, weak and weary,
Over many a quaint and curious volume of forgotten lore –
While I nodded, nearly napping, suddenly there came a tapping,
As of some one gently rapping, rapping at my chamber door –
"'Tis some visitor," I muttered, "tapping at my chamber door –
Only this and nothing more."


Versão de Fernando Pessoa

1. Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
2. Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
3. E já quase adormecia, ouvi o que parecia
4. O som de alguém que batia levemente a meus umbrais.
5. "Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.
6. É só isto, e nada mais."



Versão de Machado de Assis:

Em certo dia, à hora, à hora
Da meia-noite que apavora,
Eu, caindo de sono e exausto de fadiga,
Ao pé de muita lauda antiga,
De uma velha doutrina, agora morta,
Ia pensando, quando ouvi à porta
Do meu quarto um soar devagarinho,
E disse estas palavras tais:
"É alguém que me bate à porta de mansinho;
Há de ser isso e nada mais."


  • Poe começa ambientalizando o poema, e criando a atmosfera que vai ser tão importante
  • Nas primeiras duas linhas, encontramos que era tarde de uma noite "agreste", e o narrador se sentia lento e triste, lendo livros estranhos e antigos. Note que o  adjetivo "agreste", escolhido por Fernando Pessoa na tradução, ao meu ver ficou um pouco confuso: "Agreste" é uma região do interior do nordeste, transição entre a zona da mata e o sertão, portanto quente. Poderíamos pensar que a noite era quente, mas isso vai ser desmentido no 7º verso. Na versão original em inglês, Poe usou a palavra "dreary" (...a midnight dreary...), que significa "tediosa". Essa tradução tem muito mais a ver com o ambiente que o autor descreve do que a palavra agreste, que apesar de rimar, na melhor das hipóteses poderia significar para nós algo como "quente" ou "dura". Vale a pena dar uma conferida na versão de Machado de Assis, que assim traduziu: "...a meia noite que apavora". Veja que a palavra original "dreary", que significa tediosa, não tem nada a ver nem com agreste nem com apavorante...  o que me faz pensar que para salvar a métrica ou a rima, os dois acabaram estragando um pouco do sentido da poesia - do lore. Igual a quando empresas de jogos de computador ou vídeo-game, para preservar a jogabilidade, acabam com o lore do jogo, criando aberrações como guerreiros com magias de cura.
  • Você já sente o clima? Sabe aquelas noites em que a gente está cansado, um pouco deprimido, mas não consegue dormir? Começamos a pensar em coisas aleatórias ou a ler livros sem muito interesse, mas a gente acaba ficando pior? A gente acaba sentando para assistir uma série no netflix ou ler um livro de suspense... mas de repente o clima começa a ficar meio assustador. É exatamente aí que Poe quer colocar a gente. 
  • Na linha 3, o narrador já está quase dormindo quando... toc toc toc.... Só um pequeno barulho, e ele subitamente acorda, e está um pouco nervoso. 
  • Ele tenta se acalmar, dizendo para ele mesmo: "É só uma visita"... mas como em um filme de terror, obviamente não vai ser só isso... ou será que vai?
Versos 7-12

7. Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
8. E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
9. Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
10. P'ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais -
11. Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
12. Mas sem nome aqui jamais!


  •  Quando a gente já está tomado pelo suspense, pensando quem seria o visitante, Poe dá um passo atrás, e quase começa o poema de novo, nos falando um pouco mais sobre o narrador e deixando a atmosfera ainda mais nebulosa.
  • Na linha 7, a gente descobre que além de ser tarde da noite, estamos em Dezembro. O detalhe é que ele nos conta que estamos no frio de dezembro (lembre-se: neva no natal no hemisfério Norte) de uma noite tediosa... ou será que seria agreste? Agora que a gente percebe que a tradução de Pessoa ficou realmente horrível. 

(continua... um dia)

    Vivara Online - Avaliação do site para comprar joias pela internet






    Oi gente!! Hoje vou dar uma super dica, que vale tanto para os meninos (para escolherem presentes para a namorada, noiva ou esposa) como para as meninas (que podem querer comprar joias para si mesmas, ou para dar de presente). É o site de compra online da Vivara ! Eu já fiz há alguns dias na minha postagem da "caixa dos 5 sentidos" uma "propaganda" da linha Vivara Life (que é maravilhosa), e agora vou falar um pouco mais do site.

    Acho que todo mundo conhece a Vivara, né? É uma das lojas de joias mais importantes aqui no Brasil. Ela é famosa por vender jóias finas, e ao mesmo tempo a um preço não tão caro quanto de outros fabricantes "chiques" como H. Stern e Tiffany's, com suas famosas caixinhas azuis. 

    Geralmente a gente encontra as lojas da Vivara nos shoppings das grandes cidades... mas como fazer quando a gente mora no interior e não tem acesso a esse tipo de modernidade? Bem... seus problemas acabaram, pois existe a loja online da Vivara, e funciona maravilhosamente!

    Vou então aqui dar uma espécie de "review" ou avaliação do site de joias da Vivara com algumas impressões que tive. Já fiz duas compras lá (uma vez faz uns dois anos, e recentemente de novo agora a segunda vez), então já tenho como fazer um review. Vamos lá.

    Acho que vou fazer numa espécie de "FAQ", para ficar mais fácil.

    1)  Não é perigoso comprar joias pelo correio?
    - Não é.Primeiro de tudo, uma dúvida que a gente fica é a respeito da entrega, mas não precisa se preocupar com isso. Eles enviam as joias via transportadora, com uma embalagem lacrada (plástica), sem nenhuma identificação sobre o que tem dentro ou qual é o remetente. Quem vê por fora a embalagem nunca vai imaginar que tem uma joia ali.

    2) Quanto tempo leva pra chegar?
    A entrega é rápida, levando mais ou menos uma semana entre o pedido e a entrega.

    3) O frete é caro?
    Não é... nas duas vezes em que comrpei, o frete foi grátis.

    4) Existe alguma diferença entre as joias da loja e do site?
    Não tem! São as mesmas coleçoes... na verdade é até mais fácil comprar pelo site, devido à possibilidade de escolher.


    A entrega é feita incluindo todas as caixinhas e acessórios, bem como um certificado de garantia da Vivara. A nota fiscal vai dentro da caixa. A joia vai dentro da caixinha preta, vem toda bagunçada (deve balançar no transporte), o que é meio ruim... esse foi o único detalhe que não gostei muito.

    Uma outra coisa que achei muito curioso - ou talvez meio chato - é que depois de ter feito a compra, tudo que é anúncio do google ficou como sendo da Vivara, o que chega a incomodar um pouco, e acaba deixando a gente aflita, já que o dinheiro acabou e não dá pra comprar mais nada...

    As propagandas poluem sua tela depois de comprar no site

    Quanto ao pagamento, pode ser feito com cartão de crédito, sem maiores dificuldades para autorização. A notificação do cartão de crédito só chega alguns minutos depois da compra. Acredito que devido a ser um site de joias, a verificação deve ser feita manualmente.

    Conclusão: O site online de vendas da Vivara é super prático, e é uma excelente dica para quem não tem tempo ou não tem disposição para ir a uma loja física no shopping.  Beijinhos!!! =^.^=


    Obs: A autora não tem nenhum vínculo com a loja e nem recebeu nada pela postagem


    quarta-feira, 26 de abril de 2017

    A Coréia do Norte e a trama de mentiras americanas

    Se você está lendo isso, muito provavelmente você não viveu a época da "guerra fria". Isso porque o muro de Berlin - e a guerra fria com ele - caiu em 1989, quando a maioria dos atuais usuários da internet era ainda criança pequena - ou nem sequer nascido.

    Eu tenho que confessar que também não vivi essa realidade, e grande parte do que entendo sobre aquele período acabou vindo de filmes, documentários e livros de história. De certa forma isso para mim parece ser suficiente, talvez porque eu tenha sido uma criança um pouco diferente. Enquanto minhas amigas brincavam com suas Barbies e assistiam desenho animado na TV, eu passava minhas tardes assistindo ao Discovery Channel, aprendendo sobre a segunda guerra mundial, sobre os aviões da Luftwaffe, sobre a crise dos mísseis, e tantas outras coisas relacionadas a história e biologia.

    Ainda assim, vejo ressurgir a tensão da guerra fria no atual conflito de palavras EUA - Coréia do Norte. Fazia muito tempo que os EUA não encontravam um inimigo "à altura", e a "Diplomacia das Canhoneiras" se tornou a regra quando o Tio Sam encontrava alguém que o incomodasse.

    Após investir bilhões de dólares em armamento de alta tecnologia, só o que os EUA enfrentaram nos últimos 20 anos foram tropas de pé-rapados usando armamentos do tempo da segunda guerra. Talvez por esse motivo que até hoje não aposentaram o feioso mas eficiente avião A-10 "Warthog", que não tem nada de tecnologia embarcada, sendo basicamente uma metralhadora com asas. Pra quê gastar com um F-35 de um zilhão de dólares - o maior ralo de dinheiro da história militar - quando basta uma metralhadora que voe pra cumprir a missão?


    O fato é que os EUA são tradicionalmente os campeões em inventar justificativas nobres para motivos não tão nobres assim. Quem se lembra da carnificina que eles promoveram no Iraque com a operação "Desert Storm", usando 2 desculpas esfarrapadas: "Proteger a liberdade (do Kuwait) e elminar as armas químicas do Saddan Hussein"? A história nos provou que não existiam armas químicas no Iraque. Já a "liberdade" do Kuwait... não me parece ser algo que realmente importasse para os americanos. O motivo da guerra? O controle do preço do barril de petróleo... simples assim. Um petróleo alto demais não pesa no bolso dos americanos, entretanto empoder a Rùssia, que tem como o petróleo sua principal receita... e isso sim é uma pedra no sapato dos americanos. 

    Uma série de filmes de holywood nos últimos 20 anos vem promovendo uma verdadeira lavagem cerebral no ocidente. Os americanos passaram a ser vistos como "defensores da liberdade"....  Defensores da justiça! Que povo bondoso, não é?

    We will take your lives to keep our freedom!
    Alguns atores americanos passaram a ser os garotos propaganda da máquina de guerra americana.... em particular podemos citar o Mel Gibson, que sozinho foi responsável por quase uma dezena de filmes que tiveram como único objetivo passar a falsa imagem de que os americanos são os eternos vigilantes da liberdade e justiça. Piada! Me dá náuseas de assistir a esses filmes da propaganda americana que mostram o discurso do presidente americano, chamando os americanos para defesa da liberdade. Acho que até Goebbels sentiria vergonha de propagar tanta conversa fiada. 

    A história mostra que os americanos são, isso sim, defensores dos próprios interesses econômicos e estratégicos. Liberdade e justiça são conceitos que passam longe da cabeça do político ou general dos EUA.  O que existe, na realidade, é uma gigantesca amnésia, quase um delírio coletivo, em relação às frequentes atrocidades e violações dos direitos humanos cometidas pelos americanos. Alguém aí falou em Guantánamo? Alguém aí falou no manual de tortura da CIA, incluindo afogamentos e "alimentação retal"?


    A sagaz defesa dos direitos humanos dos EUA

    Deixemos de ser inocentes. Os EUA não são bonzinhos. Esqueça daquele desenho da "Liga da Justiça", em que os super-heróis eram divididos em "bons" e "maus", e era fácil saber quem era o mau. Nada disso existe na realidade. Essa dicotomização, essa tentativa de polarizar o mundo em "lado bom" (azul) e "lado mau" (vermelho) é só mais uma balela da propaganda ianque. Não caia nessa. As palavras e termos utilizados pelos propagandistas americanos são escolhidos meticulosamente para iludir a mente da pessoa comum. Aquelas pessoas que costumam achar que "o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil". 

    Em 2002, Bush mais uma vez tentou passar a imagem de que ele era o bonzinho, e disse que todos os seus inimigos eram o "Eixo do Mal". Percebe que a palavra "eixo" nos leva à segunda guerra, quando faziam parte do Eixo figuras malignas como Hitler? Quase 20 anos depois, qual foi o destino do tal Eixo maligno?

    A diplomacia da canhoneira... ou melhor, do Tomahawk

    Iraque: Saddan Hussein foi morto, enforcado em um julgamento forjado. No seu lugar entrou uma marionete americana.
    Iran/Líbia: Gadaffi foi morto e exposto em praça pública.  Iran teve suas instalações destruídas por aviões americanos de Israel.
    Siria: Se não fosse a intervenção russa, teria tido o mesmo destino do Iraque. Chovem mísseis Tomahawk, novamente sob alegação de supostas "armas químicas" que provavelmente não existem... EUA financiam grupos terroristas - os chamados "rebeldes moderados" para derrubar o governo.
    Cuba: Fidel, estrangulado por sanções, morreu. 
    EUA: Não levou uma única bomba.

    Quem realmente é mau? O que resta intacto e vivo, ou os que morreram ou foram destruídos?

    Nesse momento, eu pergunto... será que a Coréia do Norte está errada em desenvolver armas nucelares para sua defesa? Obviamente que não. Será que Kim Jong-un é realmente louco, como tenta a propaganda ianque nos convencer? Novamente, a resposta é não. 

    Por esse motivo, da próxima vez que for chamar o líder da Coréia do Norte de louco... lembre-se: ele é o único que permanece vivo, e mantendo sua população e infra-estruturas seguras. E apesar de seu discurso agressivo, nunca lançou seus mísseis em ninguém.

    Quantos países cada um deles já atacou?



    sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

    Melancolia.. de novo?

    Às vezes eu me odeio. Muito. Odeio ser assim como eu sou. Odeio ser esse bicho infeliz que não consegue conviver com si mesmo. Pelo menos aqui no cantinho da Misty eu posso falar sobre isso sem ser criticada. Ou ainda que eu seja criticada, sei que estou no meu cantinho.

    Eu chamei esse blog de cantinho, pois era isso que eu queria de verdade. Um cantinho. Um refúgio.


    Mas nem sequer original eu consigo ser. Quero procurar uma imagem de uma menina em um cantinho, e acho quinentas imagens de meninas que estão exatamente como eu gostaria de estar. O ser humano e´o animal que pensa, mas eu sinceramente preferia não pensar. Por isso que eu queria chamar esse blog de "De volta à matrix". Só não fiz isso porque não queria me identificar com os blogueiros de finanças que ficam chamando de "matrix" o que eles descrevem como a tal "corrida dos Ratos" do livro Pai rico... pai pobre.

    Eu não quero estar fora de matrix nenhuma, queria estar atolada até o pescoço na mais intensa de todas elas. Mas não dá. A gente tem que acordar todo dia e sermos nós mesmos. Não há para onde correr... afinal de contas, todos os caminhos são iguais. E mesmo que eu tivesse um cavalo branco que fugisse a galope... fugir para onde? Estou condenada a ficar até os ultimos dias da minha vida aqui em Itabira...  Afinal, tudo acaba onde começou. 

    Eu sempre "gostei" de ficar abaixada num cantinho. De alguma forma me fazia sentir mais sólida... como se de alguma forma ficar daquele jeito juntasse meus pedaços de novo, me fizesse uma coisa mais firme, evitasse que eu pudesse me despedaçar, que é a sensação que eu tenho quando estou mal. Como se meus braços e pernas pudessem se soltar e espalhar pelo quarto... é dificil de esplicar mas é a sensação que eu tenho. 

    Ano passado eu tive uma crise dessas, pouca gente sabe disso... (minha mãe nunca ficou sabendo), eu estava no meio da aula, de repente eu simplesmente não conseguia mais... nao conseguia ficar mais nem um segundo ali; dispensei os alunos para o recreio na metade da aula, fui para o banheiro das funcionárias, e entrei embaixo da pia, nessa posição abaixada com a cabeça entre os joelhos e abraçando as pernas. Eu não queria sair dali, ou eu simplesmente não conseguia sair dali.  A pia do banheiro é daquelas de "granito", e não um armário embaixo, coube certinho eu ali... A zeladora me viu ali... não deu 5 minutos tava a escola inteira na porta do banheiro, como se tivesse algo legal pra ver... eu só queria que todo mundo fosse embora dali, mas eles não iam... Chamaram a psicóloga da escola pra ir ali "conversar" comigo, mas eu só queria que ela parasse.... eu gritei pra todo mundo ir embora... mas eles não iam... eu gritei mais um pouco (acho que me acharam uma louca), lá pelas tantas todo mundo sumiu.... eu fui pra casa, não segui nenhum dos conselhos estúpidos que me deram (do tipo tomar água com açucar), e fiquei no meu cantinho... (o verdadeiro cantinho da Misty).... voltei pra trabalhar só na segunda feira "como se nada tivesse acontecido", nem levei atestado nem nada, mas não me descontaram os dias parados, e nem me perguntaram nada... como se nada tivesse acontecido, como se eu fosse uma espécie de ET...  Pois é. Essa sou eu. Talvez essa coisa toda de independência financeira de que eu falo tanto no outro blog tenha a ver com isso, sabe? Eu queria poder estar na independência financeira pra não precisar ir trabalhar nunca mais, nem levantar nunca mais, nem falar com ninguém nunca mais... nem acender a luz nunca mais (eu odeio luzes). Eu não ligo pra ter carros caros ou ostentação.. eu só queria que tudo parasse. Mas não dá, né? Você não morre, José. Você é duro.


    Carta ao meu amigo Pedro: E agora, José?


    Durante a faculdade eu tinha um amigo chamado Pedro. Acho que "amigo" não é a melhor palavra. Tenho muito cuidado com o uso dessa palavra. Melhor dizer colega. O fato é que o meu colega definitivamente se chamava Pedro. Eu havia me mudado para a capital para fazer meu curso. Os aluguéis próximos à faculdade eram caríssimos, e assim  eu precisava pegar ônibus todos os dias. Na verdade, eram dois dois ônibus:  um me levava até o terminal de ônibus no centro, e depois outro me levava até o campus. E era nesse terminal em que eu encontrava o Pedro às vezes. Lá estava ele, de pé na fila, com a mesma pastinha de tecido encardido a tiracolo.

    Pedro não era exatamente um cara legal. Ele nunca tinha nada de novo ou diferente para contar. Me dava a impressão de que ele morava em uma espécie de casulo escondido nos fundos do terminal de ônibus, e a existência dele se resumia a ir daquele terminal até a faculdade todos os dias. Quando as aulas acabavam, ele voltava para o terminal, e dormia no casulo até o dia seguinte, como uma espécie de vampiro dos tempos modernos. Ele não era nem bonito e nem inteligente. Na verdade ele era até meio um pouco feio. Tinha uma espécie de barba que mais parecia um cabelinho ralo, pra não dizer outra coisa, e sempre abaixava a cabeça quando eu chegava perto. Pedro nunca encostou em mim, nem me deu um único beijo no rosto. Talvez ele tivesse medo das minhas esquisitices, talvez ele fosse tímido, ou talvez eu fantasiasse demais sobre os pensamentos dele, e ele era só o cara que morava dentro do casulo no terminal.

    Mas ele tinha uma característica que tornava a conversa com ele bastante agradável: pedro nunca discordava de nada que eu falava, e nunca me criticava. Então eu podia falar o que quisesse durante o caminho até o campus, qualquer coisa mesmo, e ele só ouvia, e sempre parecia estar interessado no que eu falava. Fazia perguntas e me olhava atento, qualquer que fosse a besteira que eu falasse. Se eu virasse o rosto para ele, ele abaixava os olhos, igual aqueles cachorros fazem quando a gente olha pra eles, sabe? Eu não tinha mutia certeza sobre o que passava na cabeça dele, mas acho que as vezes eu usava o Pedro como penico para minhas crises e desesperos. Ele não tentava me consolar, e nem tinha idéias boas para resolver meus problemas.. ele só escutava, e escutava, e escutava.... ele fazia perguntas, como se estivesse coletando informações para me dar uma solução, mas... essa solução simplesmente nunca saía da boca dele. Esse era o Pedro. 

    Foram quatro anos encontrando com ele no terminal de ônibus. Mas por que eu estou contando isso agora? Por causa da música que eu cantava para ele. Eu tinha um jeito um pouco estranho de cumprimentá-lo quando chegava no terminal. Meu ônibus descia do outro lado do terminal, e eu tinha que atravessar para chegar no ponto do nosso ônibus, então eu sempre chegava por trás. De vez em quando ele ficava apoiado em uma perna só, e invariavelmente nesses dias eu fazia aquela brincadeira de empurrar o joelho dele por trás, pra ele perder o equilíbrio. Ele parecia quase caír, mas não chegava realmente a cair. Olhava pra mim, dava um sorrisinho com metade da boca, e dizia "Oi Michelle...". Apesar de (quase) todas as meninas me chamarem de "Mi", ele só falava Michelle mesmo. Ele era um dos únicos meninos da sala, e eu hoje me questiono se ele não era algum tipo de gay recolhido. Quando ele estava apoiado nas duas pernas (e não dava pra fazer a brincadeira de empurrar o joelho dele por trás), eu chegava cantando sempre a mesma música, bem perto do ouvido dele, para ele levar um susto. Talvez eu abusasse um pouco da característica que ele tinha de nunca me criticar. Era uma música do Raul Seixas, chamada "Meu amigo Pedro". Vou colocar um trecho da letra aqui...

    Tantas vezes, Pedro, você fala, sempre a se queixar da solidão. Mas quem te fez com ferro, fez com fogo, Pedro..., É pena que você não sabe não. Vai pra faculdade todo dia, Sem saber se é bom ou se é ruim. Quando quer chorar vai ao banheiro...  Pedro, as coisas não são bem assim.

    Pedro, onde você vai eu também vou, Pedro, onde você vai eu também vou, mas tudo acaba onde começou
     
    Todos os caminhos são iguais, os que levam à glória e à perdição, há tantos caminhos, tantas portas, Pedro, mas somente um tem coração. E eu não tenho nada a te dizer. Mas não me critique como eu sou: cada um de nós é um universo, Pedro Onde você vai eu também vouPedro, onde você vai eu também vou, Pedro, onde você vai eu também vou, mas tudo acaba onde começou

     Eu fiquei quatro anos cantando essa música no terminal para ele.. Não sei dizer se eu cantava para ele ou se cantava para mim mesma. O fato é que essa música de alguma forma me perturba até hoje. Não só essa, mas tantas outras músicas do Raul Seixas (como Ouro de Tolo), mas essa mais que as outras, em particular. 

    Eu acabo relacionando sempre essa música com a poesia do Carlos Drummond de Andrade "E agora, José", da qual eu ja falei tantas e tantas vezes, e está entre as minhas nacionais favoritas (junto com Profissão de Fé, O Corvo (versão do Fernando Pessoa)... 

    Eu não sei se quando o Raul (*) compôs a letra dessa música ele fez uma referência ao poema do Drummond, mas veja ali naquele pedacinho:

    Mas quem te fez com ferro, fez com fogo, Pedro..., É pena que você não sabe não. Vai pra pro seu trabalho todo dia, Sem saber se é bom ou se é ruim. Quando quer chorar vai ao banheiro...  Pedro, as coisas não são bem assim. 

     Veja agora a poesia do Drummond:

          Se você gritasse, se você gemesse,  se você tocasse  a valsa vienense, se você dormisse, se você cansasse,  se você morresse...  Mas você não morre, você é duro, José!
    Veja que o ´"José" (que na verdade era um alter ego do próprio Drummond) era duro... era não apenas duro, mas era feito com ferro. Drummond nasceu em Itabira, uma cidadezinha pequena no interior de Minas que girava em torno de uma mina de ferro. A maioria dos moradores da cidade trabalhavam na mina. E como mineiros, eram duros, mas tristes. Por essa facilidade, a cidade era repleta de artefatos de ferro, como grades e calçadas feitas do material. Drummond escreveu uma vez:

    Alguns anos vivi em Itabira. Principalmente nasci em Itabira. Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
    Noventa por cento de ferro nas calçadas. Oitenta por cento de ferro nas almas.

     Na verdade Drummond - ou José - era sim, triste, orgulhoso, deprimido... Mas isso nada tinha a ver com o ferro. Ele acabava usando o resto do mundo para justificar sua própria melancolia, como num delírio egocêntrico, ou talvez numa depressão grave com sintomas psicóticos.

    A pergunta agora é: Será que o Pedro e o José eram relacionados? Ambos eram feitos a ferro e a fogo. Duros e orgulhosos como bons  itabiranos, porém tristes e deprimidos. Eles não podiam sair de lá, estavam confinados a morar para sempre em itabira e trabalhar na mina. Apesar de ter feito sucesso como poeta, Drummond era funcionário público, e sua poesia nunca lhe trouxe realmente dinheiro: seu sustento vinha de horas a fio trabalhando em uma repartição, sempre com o mesmo terno. 

    Essa impossibilidade de fuga foi cantada pelo Raul, e também transformada em verso pelo itabirano:

              Sozinho no escuro qual bicho-do-mato, sem teogonia, sem parede nua para se encostar, sem cavalo preto que fuja a galope, você marcha, José! José, para onde?

    Não adianta fugir; não adianta marchar. Você não foge porque é duro, e mesmo se fugisse... fugir para onde? Afinal de contas, todos os caminhos são iguais, não são? 

    90% de ferro na calçada: Mas José para onde?
    Até hoje ainda não sei se o José e o Pedro são realmente a mesma pessoa... mas talvez sejam apenas a tradução artística de todos nós... A arte imitando a vida... e talvez o Pedro fosse mesmo só aquele menino que durante 4 anos me ouviu cantar aquela música... Para depois de formada voltar para minha cidade - Seria Itabira? - e nunca mais saber do que aconteceu com ele.